A Copa do Mundo é dele
Classificação: AA
Ano de lançamento: 1970
Melhor música: DE CONVERSA EM CONVERSA ou JOÃO MARCELO
Faixas:
- De Conversa Em Conversa (Lúcio Alves / Haroldo Barbosa)
- Ela É Carioca (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
- O Sapo (João Donato)
- Esperança Perdida (Tom Jobim / Billy Blanco)
- Trolley Song (Irving Berlin / Vrs. Haroldo Barbosa)
- João Marcelo (João Gilberto)
- Farolito (Agustin Lara)
- Astronauta (Samba da Pergunta) (Pingarilho / Marcos Vasconcellos)
- Acapulco (João Gilberto)
- Besame Mucho (Consuelo Velasquez)
- Eclipse (Ernesto Lecuona)
Comentário:
Não se deixe levar pela capa tosca que mais parece tirada de um filme caseiro. “João Gilberto en México” é uma pérola que por alguma razão ficou um tanto esquecida com o passar dos anos.
A história do disco é estranha, como tudo ligado a João Gilberto, aliás. Diz o próprio que decidiu visitar o amigo Mariano Rivera Conde no México e acabou se instalando por mais de um ano. Não deve ter sido fácil para o anfitrião lidar com as manias dele durante esse tempo. Mas quem resistiria a um doido tão genial?
Com arranjos cada vez mais econômicos, o disco mexicano é o primeiro da fase “pós-bossa” de João. Foi gravado seis longos anos depois do último registro em estúdio. Em uma época em que os artistas lançavam um ou mais trabalhos por ano, a “preguiça” de João não deixa de ser mais uma prova de que ele estava à frente de seu tempo…
Com um típico acento portunhol, João arrisca (e emociona) com três interpretações na língua do Chapolim. As canções de Jobim não ficaram de fora e, pra variar, arrebentam. Mas os grandes momentos são mesmo os sambas e o par de composições próprias. Enquanto uma edição decente em CD não aparece, faça como eu: baixe ou ouça hoje mesmo no Youtube.
Faixa a faixa:
De Conversa Em Conversa: Samba delicioso, imortalizada no sussuro melódico de João. Nota 10
Ela É Carioca: Bossa mais lenta, virou um clássico do nosso gênero musical. Nota 9
O Sapo: Canção do amigo (e também esquisitão) Donato. Ganhou depois letra de Caetano Veloso, mas acho que João jamais voltou a interpretá-la. Nota 10
Esperança Perdida: Bela letra de Billy Blanco para mais uma bossa triste de Jobim, querendo se divorciar do ritmo que ajudou a moldar. Nota 9
Trolley Song: Uma das primeiras canções estrangeiras (aqui em uma versão brasileira) incorporadas por João. Nota 9
João Marcelo: Uma carpintaria em formato de canção. João toca as notas como se as aparasse, dando formato durante a execução. Nota 10
Farolito: Simpática contribuição em espanhol. O sotaque do cantor dá ainda mais charme à música. Nota 9
Astronauta: Pra ouvir contemplando as estrelas. Nota 9
Acapulco: Duas composições próprias em um único disco? Os ares mexicanos fizeram bem a João. Nota 10
Besame Mucho: Linda, ganhou uma versão mastodôntica de quase oito minutos no disco “Amoroso”, alguns anos depois. Nota 9
Eclipse: Mais uma vez, um erro na canção final, que deveria ser “Besame Mucho”. Mas a canção é bonita. Nota 8
Olá amigo, há algum tempo atrás prometi contribuir no blog, com comentários/opiniões/análises porém, mudo constante e facilmente de opinião quando se trata da obra de João Gilberto, fazendo com que, inclusive, eu já tenha comentado no seu blog e apagado em seguida. Pois bem, venho especificamente hoje (15/09/2018) fazer algumas considerações sobre o álbum “João Gilberto en México” porque estranha e repentinamente estou extremamente viciado nesse álbum, é necessário que eu diga que, assim como muitos de nós, apreciadores de música brasileira, eu sou suspeito para comentar qualquer coisa sobre João Gilberto, já que o mesmo detém para mim, títulos como “ídolo supremo”, “músico favorito”, e por ai vai (deixando de lado questões sobre a vida pessoal dele).
ResponderExcluirCerto, esse álbum para mim, é mágico porque contem um ar de “produto artesanal”, com “gravações de qualidade de áudio não tão alta” que para mim é convertido totalmente em “ simplicidade, ar retrô, feito de maneira espontânea”, que não encontro em álbuns como “Getz/Gilberto” ou “João”. Alguns apreciadores de arte de João Gilberto, não gostam muito dos “Arranjos externos (flautas, violinos e etc)” freqüentemente presentes na sua obra, e por isso elegem como melhores álbuns aqueles que, não contem muita “interferência externa ou interferência externa minimalista”, esse álbum é bem sutil nesse aspecto, com “arranjos externos” bem oportunos inclusive, músicas como “Astronauta”, “Esperança perdida” e “Eclipse” confirmam isso. Nesse álbum, a voz de João está numa fase que chamo de “intermediaria” bem interessante em termos de agudos/graves, para mim, as gravações desse álbum tem algo meio único na maneira dele cantar, uma “despretensão”, algo meio intuitivo, que para mim é diferente da perfeição do “Getz/Gilberto” e das excepcionais sacadas vocais que ele implementa no “Álbum Branco”, nesse álbum de 1970, parece que o clima do México deixou ele um pouco mais “sóbrio” e direto na pronúncia das palavras, como se todas as gravações tivessem sido feitas de primeira e jogadas num disco, não sei, talvez seja só uma viagem da minha mente encantada pelo álbum. “De conversa em conversa” é minha música favorita do álbum, a que mais escutei e repeti, não vou comentar muito sobre isso porque músicas alegres tendem a me encantar mais, então essa é minha favorita não devido a uma analise profunda, mas sim, pura preferência pessoal (muito embora o violão esteja um tanto quanto “invocado” nessa música). “Acapulco” disputa com “ O sapo” na categoria “Sublimes Surpresas” especialmente se você, assim como eu, seguiu a ordem cronológica dos álbuns do João na hora de conhecer a obra, fazem parte de uma das coisas que, fazem a obra de João tão singular, voz e violão unido-se para tocar nossos corações num ritmo e dicção mágicos. Por ter sido feito no México e tal, eu poderia dar para “Besame Mucho” o titulo de, “A Melhor Gravação do Álbum”, mas não, fico com a arte Jobiniana/Viniciana e coloco “Ela é Carioca” como a melhor, sendo justificada pela introdução da música que, para mim, João executa de maneira perfeita (voz e violão se misturam e nos confundem), o movimento do violão está tão doce, e tão nítido que chega a assustar, as notas que João atinge com a voz nessa gravação, muito embora já me traga uma nítida sensação de que, ele esta atacando um pouco menos os agudos do que no álbum anterior, o sentimento que parece estar inserido nessa interpretação também se destaca de outras gravações anteriores, quando ele pronuncia por exemplo: “ Na Luz do seu olhar, a paz que sonhei...” seguido por “ Só sei que sou louco por ela, e pra mim ela é linda demais...” e finalizando com “ e além do mais, ela é carioca, ela é carióóócaaaa” para mim é mágico, eu fiquei repetindo isso mil vezes desde a primeira vez que escutei a música. Bem, eu poderia(deveria) fazer mais considerações, tem detalhes em algumas canções como “Farolito” e “Trolley Song” (eu num instante OFIRICÍ o meu lugar) que eu poderia comentar bastante, mas para não estender muito vou finalizar.
ResponderExcluirEncerro inclusive com uma discordância um tanto quanto “diferente” talvez, considero a canção “João Marcelo” a mais fraca do álbum, por mais que os sons dos dedos do João sendo arrastados sobre as cordas me encantem, o polegar que faz o baixo, tocando as cordas numa seqüência bem interessante, um efeito de continuidade legal especialmente a partir do segundo “00,12” da canção ,e o nome da canção sendo o nome de um dos filhos dele.... não me agrada muito a rítmica da canção, também não trás um tom de profundidade tão grande que justifique esse ritmo, na minha humilde opinião, obviamente. Então é isso, agradeço a todos que fizerem a leitura dessas considerações, especialmente o dono do blog, por ter realizado toda essa analise da discografia de João Gilberto. Abraço amigos e Viva a Música Brasileira! ps. Esse disco merece mais do que AA.
ResponderExcluirOi, Hend. Muito obrigado pela sua análise. Acho que este disco mexicano foi o último que ouvi de João (sinceramente não me lembro mais). Mas a sensação de quando o escutei pela primeira não se perde nunca. Quando pensava que não podia mais me surpreender com João, fui tomado de assalto por essas relíquias "exiladas"... Mas os meus favoritos ainda são o Álbum Branco e Amoroso. Aquele abraço!
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