Amoroso

É devagar, é devagar, devagarinho…
Amoroso
Classificação: AAA
Ano de lançamento: 1977
Melhor música: ESTATE
Faixas:
  1. 'S Wonderful (George Gershwin / Ira Gershwin)
  2. Estate (Bruno Martino / Bruno Brighetti)
  3. Tin Tin Por Tin Tin (Haroldo Barbosa / Geraldo Jaques)
  4. Besame Mucho (Consuelo Velasquez / Sonny Skylar)
  5. Wave (Antônio Carlos Jobim)
  6. Caminhos Cruzados (Antônio Carlos Jobim / Newton Mendonça)
  7. Triste (Antônio Carlos Jobim)
  8. Zíngaro (Antônio Carlos Jobim / Chico Buarque)
Comentário:

Para os que insistem em dizer que João Gilberto faz a mesma música há 60 anos, um desafio: ouçam “Chega de Saudade”, de 1958, e comparem com este “Amoroso”, lançado quase duas décadas depois da estreia.

Pra muita gente de respeito, como o Nelson Motta, o disco que João Gilberto lançou em 1977 é o melhor da carreira. Eu não chegaria a tanto, mas posso dizer que este é o último álbum extraordinário do baiano doido e genial.

“Amoroso” marca a volta dos arranjos orquestrados aos discos de João. O pai da orquestra é Claus Ogerman, que também trabalhou com Tom Jobim no belíssimo (e melancólico) “Urubu”. Há quem considere as passagens instrumentais pomposas demais (ou kitsch, pra ficar num termo moderninho), mas eu não consigo não gostar.

É aqui também que João se arrisca pela primeira vez a cantar em inglês. Se é que podemos classificar a versão de 'S Wonderful desta forma. O forte sotaque de João transforma os versos em uma espécie de “portuglês”. Imagino como ficaria “Girl of Ipanema” nesse dialeto joãogilbertiano…

Outra característica marcante do disco é a redução brutal na velocidade do andamento, proporcional ao aumento na duração das canções. Se em “Chega de Saudade” as músicas se resolvem em pouco mais 60 segundos, agora João estende e repete os versos, entremeados por longas passagens orquestradas, por quase nove minutos! E assim, devagar, devagarinho, “Amoroso” ainda me emociona a cada audição…

Faixa a faixa:

'S Wonderful: Gershwin viveu em Ipanema. João Gilberto prova. Nota 10

Estate: Canção em italiano que, ironicamente, talvez seja a melhor interpretação de João em todos os tempos, de todos os discos. Nota 10

Tin Tin Por Tin Tin: Sambinha de boteco “gourmetizado” por João e Claus Ogerman. Nota 9

Besame Mucho: Com seus quase nove minutos, é o mais perto que João Gilberto já chegou de Pink Floyd. Nota 10

Wave: Faltava apenas essa pérola de Tom ser imortalizada por João. Nota 10

Caminhos Cruzados: Os arranjos de orquestra dão o tom na canção de Tom. Nota 9

Triste: Bela, mas em uma interpretação mais convencional. Nota 8

Zíngaro: De tão sussurrada, é quase cantada “para dentro”, o que só ressalta a letra de Chico. Nota 9

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