Cilada, João!
Classificação: B
Ano de lançamento: 1975
Melhor música: LIGIA
Faixas:
- Double Rainbow (Antonio Carlos Jobim / Gene Lees)
- Aguas de Marco (Antonio Carlos Jobim)
- Ligia (Antonio Carlos Jobim)
- Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
- Retrato Em Branco e Preto (Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque)
- Izaura (Roberto Roberti / Herivelto Martins)
- Eu Vim Da Bahia (Gilberto Gil)
- Joao Marcelo (João Gilberto)
- E Preciso Perdoar (Alcivando Luz / Carlos Coqueijo)
- Just One of Those Things (Cole Porter)
Comentário:
Assim como qualquer pessoa com um mínimo de audição e sensibilidade musical, Stan Getz deve ter pirado ao ouvir pela primeira vez o Álbum Branco de João Gilberto. E deve ter maquinado consigo: “E se eu colocasse um sax no meio dessas músicas?” Péssima ideia, caro gringo. O que eu não entendo foi como João se meteu nessa cilada…
Absolutamente tudo parece fora de lugar em “The Best of Two Worlds”. O sax estourado de Getz lembra como nunca a metáfora do elefante na loja de cristais. E as percussões muitas vezes “atropelam” o instrumental, como se estivessem lá para “abrasileirar” de forma proposital as canções.
Nem mesmo a bela voz de Miúcha se salva da mediocridade geral. Ao contrário de Astrud Gilberto no inesquecível Getz/Gilberto, a presença dela mais parece a de uma tradutora simultânea dos versos sussurados por João. Não acreditam? Confiram então a versão feita para “Isaura”, talvez a canção que melhor resuma o “pior dos dois mundos”. As únicas faixas em que todos parecem falar a mesma língua são “Lígia” e “Just One of Those Things”.
Menos mal que este não seja um disco de João Gilberto, ainda que ele carregue o piano – quer dizer, o violão – nas gravações. Não por acaso, os melhores momentos ocorrem quando ele assume as rédeas, como em “João Marcelo” e no início de “É Preciso Perdoar”.
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