Barão Vermelho (1982)

Rock com tripas e coração

1982

Classificação: A

Ano de lançamento: 1982

Melhor música: TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA

Faixas:

  1. Posando de Star (Cazuza)
  2. Down em Mim (Cazuza)
  3. Conto de Fadas (Cazuza / Maurício Barros)
  4. Billy Negão (Cazuza / Guto Goffi / Maurício Barros)
  5. Certo Dia na Cidade (Cazuza / Guto Goffi / Maurício Barros)
  6. Rock'n Geral (Cazuza / Roberto Frejat)
  7. Ponto Fraco (Cazuza / Frejat)
  8. Por Aí (Cazuza / Frejat)
  9. Todo Amor que Houver Nessa Vida (Cazuza / Frejat)
  10. Bilhetinho Azul (Cazuza / Frejat)

Comentário:

Tosco, mal produzido e ainda pior tocado. Quem ouve pela primeira vez o disco de estreia do Barão Vermelho pode ter a impressão de que a banda saiu direto da primeira aula de música para o estúdio. Mas não é disso que se trata o rock, afinal? O que importa são as canções. E aqui elas estão mais poderosas e afiadas que nunca.

Até hoje não consigo entender por que o disco de estreia do Barão foi ignorado por completo na época do lançamento. Uma explicação possível talvez seja o fato de remar contra a maré dos grupos que estouraram na época, como a Blitz e a Gang 90. Não sei se por opção ou falta de intimidade com os instrumentos, o Barão se lançou com um som cru, sustentado pelos riffs de Frejat e os teclados sessentistas (e por vezes meio chatos) de Maurício Barros.

Mas quem brilha mesmo é Cazuza, é claro. Sem nenhuma técnica vocal, o timbre rouco do cantor falha em vários momentos, o que só torna as interpretações mais extraordinárias. E o que dizer das letras? Na minha lista das dez melhores canções de todos os tempos, eu incluo “Todo Amor que Houver Nessa Vida” e mais nove.

Não satisfeito, Cazuza ainda compôs as melodias das duas primeiras faixas do disco. Aliás, quem quer que tenha sido o responsável por ordenar as músicas no disco está de parabéns. Deixar as parcerias de Cazuza e Frejat para o lado B, uma porrada atrás da outra, foi sensacional. Enfim, trata-se de um disco obrigatório para quem pensa em ter uma banda de rock no Brasil.

Faixa a faixa:

Posando de Star: “Pouco importa o que essa gente vá falar mal…” É isso aí, Cazuza. Pode botar banca. Nota 9

Down em Mim: Uma das melhores letras de Cazuza, provavelmente escrita no banheiro do bar, a “igreja de todos os bêbados”. Nota 10

Conto de Fadas: O tecladinho enfraquece um pouco esse rock com outra ótima letra. Nota 8

Billy Negão: Podia ter uma produção melhor, mas a letra esperta, só pra variar, resolve. Nota 8

Certo Dia na Cidade: A única canção diferente, um tipo de reggae/ska sem suingue. Não é ruim, mas se fosse melhor produzida ajudaria a dar alguma diversidade ao disco. Nota 6

Rock'n Geral: Começo das porradas Cazuza/Frejat. Visceral, merecia ter virado um clássico do Barão. Nota 9

Ponto Fraco: Deliciosa e cinematográfica, é possível ver a cena se desenrolar enquanto Cazuza canta. Inexplicável como não estourou na época. Nota 9

Por Aí: Mais uma canção feita com as tripas. Aprendam, bandas nacionais! Nota 9

Todo Amor que Houver Nessa Vida: O próprio veneno antimonotonia. Melhor letra do rock brasileiro de todos os tempos, sem mimimi. É ainda melhor com seu arranjo original e mais cortante. Nota 10

Bilhetinho Azul: Missão difícil de fechar o disco depois de tantos petardos. Típica levada de Frejat, letrada com maestria por Cazuza. Nota 9

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