Testamento vivo
Classificação: B
Ano de lançamento: 1989
Melhor música: BURGUESIA
Faixas:
- Burguesia (Cazuza / George Israel / Ezequiel Neves)
- Nabucodonosor (Cazuza / George Israel)
- Tudo É Amor (Cazuza / Laura Finochiaro)
- Garota de Bauru (Cazuza / João Rebouças)
- Eu Agradeço (Cazuza / George Israel / Nilo Romero)
- Eu Quero Alguém (Cazuza / Renato Rocketh)
- Baby Lonest (Cazuza / Lobão / Ledusha)
- Como Já Dizia Djavan (Cazuza / Frejat)
- Perto do Fogo (Cazuza / Rita Lee)
- Cobaias de Deus (Cazuza / Ângela Rô Rô)
- Mulher Sem Razão (Cazuza / Bebel Gilberto)
- Quase Um Segundo (Herbert Vianna)
- Filho Único (Cazuza / João Rebouças)
- Preconceito (Antônio Maria / Fernando Lobo)
- Esse Cara (Caetano Veloso)
- Azul e Amarelo (Lobão / Cartola / Cazuza)
- Cartão Postal (Rita Lee / Paulo Coelho)
- Manhatã (Cazuza / Leoni)
- Bruma (Cazuza / Arnaldo Brandão)
- Quando Eu Estiver Cantando (Cazuza / João Rebouças)
Comentário:
Se ainda hoje é difícil avaliar Burguesia sem levar em consideração a frágil condição de saúde em que Cazuza se encontrava, imaginem na época do lançamento. Pelo pouco que me lembro (e eu deveria me lembrar mais, pois já tinha 11 anos), o disco passou meio batido em meio às notícias sobre o avanço da doença. Para as crianças que não viveram a época, a Aids não era apenas letal, era dolorosa e cruel.
As críticas ao disco se dividiram entre os que tentaram ser condescendentes e os que malharam sem dó. Os primeiros se apoiaram nos (poucos) momentos inspirados, enquanto os últimos escancararam os (muitos) defeitos.
Estou mais com o segundo grupo. Exceto pela canção título, não há nada que aponte em alguma direção nova do ponto de vista musical. Ao contrário, os arranjos muitas vezes só pioram as músicas. Sem falar no excesso de parcerias e canções, que acaba com qualquer tentativa de unidade no disco.
É bem possível que, se tivesse mais tempo, Cazuza lapidaria as gravações e o resultado seria outro. Se bem que, observados a distância, os defeitos também podem ser encarados como um testemunho, ou testamento, de um grande artista.
O tom é quase todo tempo é de adeus. Impossível não sentir a dor e o sacrifício de Cazuza para alcançar cada nota, em canções que muitas vezes exigiriam pouco ou nenhum esforço em condições normais de temperatura e pressão. Pra que sofrer com despedidas?
Faixa a faixa:
Burguesia: Uma espécie de rap-rock em que Cazuza dá um tapa na cara da sociedade que elegeria Collor naquele mesmo fatídico ano. Nota 9
Nabucodonosor: Canção simpática, que caberia bem num disco da Adriana Partimpim Calcanhoto. Nota 7
Tudo É Amor: Chata, como quase todos os rocks do disco. Nota 4
Garota de Bauru: Uma bobagem, mas Cazuza devia estar cansado de escrever sempre sobre temas sérios… Nota 6
Eu Agradeço: Arranjo ruim para um desabafo de Cazuza aos que o julgavam. Nota 6
Eu Quero Alguém: Chatice eletronificada e toscamente produzida. Nota 4
Baby Lonest: Alguma recuperação, mas ainda longe de fazer diferença. Nota 7
Como Já Dizia Djavan: Única parceria com Frejat no disco. O guitarrista até fez a parte dele, mas a letra de Cazuza, desta vez, não ajudou. Nota 6
Perto do Fogo: Versão quase cuspida da canção que viraria um hit comportado com Rita Lee. Nota 7
Cobaias de Deus: A mais cruel do disco, dá pra sentir o sofrimento de Cazuza ao cantá-la. Nota 8
Mulher Sem Razão: Canção sem grandes pretensões, mas acima da média geral. Nota 7
Quase Um Segundo: Interpretação esfacelada da canção esfacelada de Herbert Vianna. Emocionante. Nota 8
Filho Único: Balada autobiográfica, como quase tudo que Cazuza compôs. Nota 7
Preconceito: Mais um cover, agora um interessante “proto-tango”. Nota 7
Esse Cara: Boa versão, mas que não traz nada de novo para a música de Caetano. Nota 7
Azul e Amarelo: Uma insólita (e ótima) parceria de Cazuza e Lobão com Cartola. Nota 8
Cartão Postal: Versão mais “blue” da canção do melhor disco solo de Rita Lee. Nota 7
Manhatã: Cazuza inspirado, numa canção leve e bem sacada. A ser descoberta… Nota 8
Bruma: Bonita e melancólica, a despedida de um poeta. Nota 7
Quando Eu Estiver Cantando: Bonita, mas é mais um testemunho que uma canção. Nota 6
Comentários
Postar um comentário