Ainda vivos, mas sem rumo
Classificação: B
Ano de lançamento: 1986
Melhor música: UM DIA NA VIDA
Faixas:
- Um Dia na Vida (Mauricio Barros / Cazuza)
- Desabrigado (Mauricio Barros / Humberto F.)
- Torre de Babel (Frejat / Guto Goffi / Ezequiel Neves)
- Bagatelas (Frejat / Antonio Cícero)
- Não Quero Seu Perdão (Frejat / Julio Barroso / Denise Barroso)
- Bumerangue Blues (Renato Russo)
- Declare Guerra (Guto Goffi / Ezequiel Neves / Frejat)
- Linda e Burra (Mauricio Barros / Pequinho)
- Maioridade (Frejat / Denise Barroso / Cazuza / Guto Goffi)
- Que o Deus Venha (Poema de Clarice Lispector / Música: Frejat e Cazuza)
- Eu Tô Feliz (Frejat / Arnaldo Antunes)
Comentário:
Se houvesse uma bolsa de apostas no ano de 1985 sobre quais bandas morreriam antes de chegar à década seguinte, o Barão Vermelho na certa seria uma barbada. A saída de Cazuza representou a perda não só do vocalista e principal compositor, mas da própria atitude que marcara o grupo em seus primeiros anos.
O candidato natural a assumir o papel de líder era Frejat. Dos quatro membros restantes, era o único que exalava algum carisma para encarar os palcos. E como principal responsável pela sonoridade da banda, nada mais natural que assumisse as rédeas dali por diante.
A boa notícia para os fãs que ainda acreditavam no Barão é que Frejat se mostrou um bom vocalista. A ruim é que, neste primeiro disco, ele ainda parece sentir o peso de substituir Cazuza. Em vários momentos, parece contido demais, como se o papel de líder não lhe pertencesse. A sombra de Mauricio Barros, que compensava a total falta de “mojo” com uma voz extraordinária, não deve ter ajudado. Sorte de Frejat que ele canta logo na pior faixa do disco (e da história do Barão?).
Quanto ao disco, não há muito o que dizer. Se ficou longe de ser um desastre completo, tampouco chega perto de brilhar, apesar de alguns bons momentos. O bando de letristas chamado para tentar ocupar ao menos parte do rombo provocado pela saída de Cazuza falha de modo retumbante na missão. O lado bom é que algumas das melhores canções saíram da veia dos próprios integrantes da banda, com uma ajuda do produtor Ezequiel Neves.
Apesar do fracasso de Declare Guerra na época, o Barão conseguiu chegar aos discos seguintes. Sorte deles que o rock brazuca estava na moda. E azar dos que apostaram que a banda teria vida curta. Frejat e Guto Goffi ainda deixariam muita gente boa para trás nessa estrada…
Faixa a faixa:
Um Dia na Vida: Cazuza era tão foda que não se importou em deixar esta pequena pérola para trás antes de sair em carreira solo. Nota 8
Desabrigado: Lembra um pouco mais o que se tornou o Barão nos anos pós-Cazuza. Nota 7
Torre de Babel: Bobinha, mas tem seu valor por ser a primeira composição da banda sem Cazuza. Nota 6
Bagatelas: Com uma mãozinha na letra do irmão e parceiro de Marina Lima, Frejat compôs uma canção sem muita expressão. Nota 5
Não Quero Seu Perdão: O bom piano de Mauricio Barros não redime esta canção fraquinha. Nota 6
Bumerangue Blues: Frejat tinha tudo para ser o melhor intérprete de Renato Russo, mas a coisa por alguma razão não acontece. Nota 6
Declare Guerra: Boa canção feita dentro de casa, tornou-se um dos clássicos do Barão. Nota 8
Linda e Burra: A pior canção da história do Barão? A ironia é que os vocais de Mauricio Barros, quem diria, são muito melhores que os de Cazuza e Frejat. Nota 2
Maioridade: Não vai muito longe, mas vai um pouco além a mediocridade geral do disco. Nota 6
Que o Deus Venha: Mais uma colaboração herdada de Cazuza, desta vez sobre um texto de Clarice Lispector. Mas Frejat não dá conta dos vocais, que precisavam da “sujeira” de Cazuza. Nota 7
Eu Tô Feliz: Funk numa hora dessas? Devia ter deixado o Mauricio Barros cantar essa, Frejat… Nota 4
Discordo, acho esse disco um clássico do Barão!
ResponderExcluirConcordo, é um clássico. Mas de uma banda ainda perdida... Abs.
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