Chico Canta (Calabar)

Karaokê do Chico



















Classificação: AA

Ano de lançamento: 1973

Melhor música: FADO TROPICAL

Faixas:
  1. Prólogo (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  2. Cala a Boca, Bárbara (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  3. Tatuagem (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  4. Ana de Amsterdam (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  5. Bárbara (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  6. Não Existe Pecado ao Sul do Equador / Boi Voador Não Pode (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  7. Fado Tropical (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  8. Tira as Mãos de Mim (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  9. Cobra de Vidro (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  10. Vence na Vida Quem Diz Sim (Chico Buarque / Ruy Guerra)
  11. Fortaleza (Chico Buarque / Ruy Guerra)
Comentário:

Pergunta para cair no próximo Enem: Qual o nome do disco que Chico Buarque de Hollanda lançou em 1973, com as músicas da peça Calabar, escrita em parceria com Ruy Guerra?

a) Chico Canta Calabar
b) Chico Canta
c) Calabar
d) nenhuma das alternativas
e) todas as alternativas

Eu também não sei a resposta, mas arriscaria cravar a alternativa “e”. De toda a extensa discografia de Chico Buarque, estamos diante do disco mais zoado de todos. Zoado pela censura, pela gravadora e até pelo próprio Chico. Foi difícil até escolher qual capa ilustrar esse post. Sim, porque além de ter vários títulos o disco saiu com diferentes capas ao longo dos anos.

Apesar de tudo isso (e talvez um pouco por tudo isso) Chico Canta (vamos chamá-lo assim) é um dos meus discos favoritos. Na melhor fase da carreira, Chico podia fazer música sobre o que bem entendesse, sempre de maneira genial. De um boi voador a uma cena de esquartejamento, de samba a "fado tropical".

Graças aos arranjos desconcertantes de Edu Lobo, o disco é também o mais eclético de toda a carreira de Chico. Nas faixas instrumentais, os músicos deitam e rolam para ocupar a voz do cantor. Voz que ficou de fora de várias faixas e teve trechos abafados em outras por culpa da censura.

A treta dos militares com Chico era antiga. Desde que foram enganados na letra de Apesar de Você, censurada depois que o compacto já havia vendido milhares de cópias, os milicos começaram a fazer marcação cerrada sobre ele.

E quando Chico, em parceria com Ruy Guerra, resolveu escrever um musical sobre Domingos Calabar, português que se uniu aos holandeses contra os patrícios ainda na época do Brasil colônia, os homens do quartel não deixaram barato: proibiram a peça, que tem todas as canções na voz feminina, pouco antes da estreia.

É claro que o disco com as canções do espetáculo não passaria batido pela censura. Uma música foi vetada completamente (Vence na Vida Quem Diz Sim) e outras duas (Fado Tropical e Bárbara) tiveram trechos proibidos. Até mesmo Chico entrou na onda e decidiu se “autocensurar” ao não cantar Ana de Amsterdam. Quem quiser ouví-la com letra pode ir atrás do disco ao vivo com Caetano.

A capa original, com o título “Calabar” pichado num muro escuro, também foi chocante demais aos olhos da censura. Teve de ser substiuída por uma capa toda branca, agora com o nome de Chico Canta. Mas logo uma outra ditadura – a econômica – se fez valer. Diante das fracas vendas, a gravadora relançou o disco com uma foto em perfil do rosto galã de Chico.

Apenas décadas depois do fim da censura e do regime militar o disco veio a circular com sua capa original. Pena que ainda não fizeram o mesmo trabalho com o conteúdo. Alô, executivos falidos da gravadora! Por que vocês ainda não remasterizaram o disco sem os efeitos toscos que apagaram os trechos censurados nem buscaram nos arquivos se existe alguma versão cantada por Chico das músicas que foram censuradas?

P.S.: Esse post é dedicado a "Ana de Amsterdam", a querida leitora que mandou um e-mail pouco educado para o autor de Abandonado acusando o narrador da história de misoginia. Pobre Franco, ele nem sequer sabia o significado da palavra...

Faixa a faixa:

Prólogo: Canção instrumental que abre espaço para os arranjos grandiosos de Edu Lobo triunfarem. Nota 8

Cala a Boca, Bárbara: Avassaladora, ainda permite um paralelo com a censura ao próprio Chico. Nota 9

Tatuagem: Não é uma música, é um filme em longa metragem em formato de poesia. Nota 9

Ana de Amsterdam: A música só teve um trecho censurado, mas esqueceram de avisar ao Chico, que deixou de cantá-la por inteiro no disco. Nota 8

Bárbara: Podia servir de trilha sonora para “Azul é a Cor Mais Quente”… Nota 8

Não Existe Pecado ao Sul do Equador / Boi Voador Não Pode: Prova de Chico naquela época fazia o impossível em matéria de música, até fazer boi voar… Nota 8

Fado Tropical: Os trechos declamados por Ruy Guerra ainda hoje me estremecem. Nota 10

Tira as Mãos de Mim: A minha música preferida (e a menos conhecida) entre as muitas que Chico canta com o “eu lírico” feminino. Nota 9

Cobra de Vidro: Descrição viva do esquartejamento de Calabar. Sobram tripas, cacos e veneno aos quatro cantos... Nota 8

Vence na Vida Quem Diz Sim: A censura vetou essa por completo. Sua chance para cantar como se estivesse num Karaokê… Nota 8

Fortaleza: Quase uma vinheta, fecha o disco de forma pesada e melancólica. Nota 8

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