Resenha: Rita Lee / Bombom (1983)
Classificação: CCC
Ano de lançamento: 1983
Melhor música: ON THE ROCKS
Faixas:
- On the Rocks (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Desculpe o Auê (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Tentação do Céu (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Fissura (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Degustação (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Arrombou o Cofre (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Menino (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Strip Tease (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Raio X (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Bobos da Corte (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Pirarucu (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
- Yoko Ono (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Resenha:
Rita Lee é a rainha do rock, mas em algum momento deve ter se achado deusa. E quem não pensaria o mesmo? Depois de um disco com vendas milionárias e uma megaturnê estourada pelo país, ela parecia acreditar que qualquer prato saído daquela cozinha cairia no gosto de público e crítica.
Mas Bombom mostra que aquele doce bonito na vitrine também pode decepcionar na hora da "degustação".
Em vez de errar tentando algo novo, Rita decidiu insistir no erro. Pior, dobrou a aposta. Se não se achasse à prova de falhas, na certa ela não deixaria Roberto de Carvalho cantar novamente. E não em uma, mas em duas faixas!
Tudo bem, é injusto colocar todo o malogro de Bombom na conta de Roberto. Em vários momentos, é ele quem carrega o piano -- e a guitarra.
Foi Roberto quem teve a ideia de transformar um bilhete com pedido de desculpas de Rita em música. Desculpe o Auê se tornou um dos maiores hits da carreira da dupla e ajudou o disco a chegar nas 500 mil cópias vendidas.
A briga mostra que o entrosamento musical da dupla talvez já não fosse mais o mesmo. O momento pessoal de Rita também não era dos melhores na época da gravação, o que também influenciou a qualidade irregular das canções de Bombom.
O momento do país também teve um efeito ruim para o disco. Em vários momentos, Rita parece que deseja testar a abertura política e o véu da censura.
Só isso explica canções bobas como Degustação, dos infames versos "Amor, eu quero é lamber tumor / Tumor me causa pigarro / Que tal um chá de catarro?". Pelo menos ela pode se orgulhar de estar quase uma década à frente de Isso Para Mim É Perfume, dos Titãs.
Degustação foi proibida de entrar nas rádios (como se alguma fosse mesmo querer tocar), junto com Arrombou o Cofre. A brincadeira com os políticos da época tinha mais chances de ir bem nas FMs, mas logo seria esquecida, junto com a maioria dos nomes mencionados na letra (graças a Deus!).
A esta altura, você deve estar se perguntando, não há nada de bom no disco? Podemos dizer que a "cobertura" de Bombom é promissora.
On The Rocks é um dos melhores rocks da carreira de Rita, capaz de rivalizar com várias faixas clássicas de Fruto Proibido. Junto com Raio X, é o que traz algum sabor ao disco hoje -- o que não basta para apagar o gosto ruim que o disco deixa no fim.
Talvez esse seja o verdadeiro valor de Bombom. Lembrar que até Rita Lee podia errar. E, curiosamente, isso torna a sequência de clássicos ainda mais impressionante.
Faixa a faixa:
On the Rocks: De volta ao rock? Uma grande letra, com um dos melhores (se não o melhor) solo de Roberto de Carvalho. Nota 10
Desculpe o Auê: Uma daquelas canções que, de tanto tocar na rádio, ficam tão banalizadas que a gente até se esquece como são boas. Nota 8
Tentação do Céu: Os vocais de Roberto enterram esta canção com letra tola e arranjo brega. Nota 3
Fissura: Balada gostosa de ouvir, mas está em um nível abaixo das que Rita e Roberto produziram nos anos anteriores. Nota 6
Degustação: O dueto de Rita e Roberto só torna a letra escatológica ainda mais constrangedora. Mas o funkzão instrumental por baixo é ótimo! Nota 3
Arrombou o Cofre: Rita resolveu fazer uma terceira letra para Arrombou a Festa, mas com políticos no lugar de músicos da MPB. Como quase toda continuação, é inferior à original. Nota 4
Menino: Em um disco cheio de tropeços, funciona como um raro momento em que Rita e Roberto parecem relaxar. Nota 7
Strip Tease: Nem Rita parece animada para cantar esta canção que sofre com os arranjos repletos de saxofones desnecessários. Nota 5
Raio X: Um respiro em meio à mediocridade geral do disco. Uma amostra do que Rita é capaz de fazer quando quer. Nota 8
Bobos da Corte: Está longe de ser uma obra-prima, mas tem seu charme. Nota 7
Pirarucu: Um ouvinte mais cínico diria que Rita tentou emular um momento "mutante", mas sem a criatividade nem a inspiração da antiga banda. Nota 4
Yoko Ono: Uma música que tem como título o nome da companheira de John Lennon atrairia a curiosidade por si só. Seria um recado para o maridão Roberto, que muitos veem como a "Yoko Ono de Rita"? Você não vai descobrir nada disso ouvindo esta música. Nota 6

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