Clandestino

Uma pena, mas o público já estava farto do rock and roll

Ira - ClandestinoClassificação: A

Ano de lançamento: 1990

Melhor música: Tarde Vazia (categoria hit) e Cabeças Quentes (categoria cool)

Faixas:

  1. Melissa (Scandurra, Nasi e Andre Jung)
  2. Tarde Vazia (Scandurra e Ricardo Gaspa)
  3. Efeito Bumerangue (Scandurra e Ciro Pessoa)
  4. Boneca de Cera (Scandurra)
  5. Cabeças Quentes (Nasi e Scandurra)
  6. O Dia, A Semana, O Mês (Scandurra)
  7. Patroa (Scandurra)
  8. Consciência Limpa (Scandurra)
  9. Clandestino (Scandurra e Gisele Carmo)
  10. Nasci Em 62 (Scandurra)

Comentário:

Odiado pela grande mídia, pelos produtores de festivais e até mesmo por parte da gravadora, o Ira! acabou perdendo também o apoio da crítica depois de Clandestino. Tudo porque a banda resolveu compor a maior parte do repertório deste disco com velharias do baú de Edgard Scandurra, que havia acabado de deixar suas composições mais recentes registradas no primeiro disco solo, Amigos Invisíveis.

Bobagem! Se três anos antes o "genio" Renato Russo fizera o mesmo com Que País é Este, por que o Ira! também não podia? E a raspa do tacho de Scandurra não deixava nada a dever aos delírios punks do líder da Legião, como se pode ver em canções como Nasci em 62 e O Dia, A Semana, O Mês. Na humilde opinião deste escriba, Clandestino bem que merecia sorte melhor.

O problema é que o País era bem diferente da época do lançamento do disco de sobras da Legião. A era Collor estava no auge, com toda a sua breguice sintetizada na imagem do presidente mauricinho andando de jet ski no Lago Paranoá. As bandas de rock já não repetiam os sucessos radiofônicos dos anos anteriores e não havia espaço para estrelas prepotentes e sem sucesso comercial como Edgard e seus meninos da rua Paulo...

Em suma: o Ira! precisava no mínimo de um Vivendo e Não Aprendendo 2 se quisesse vender discos nesse clima de terra arrasada. E este Clandestino está mais para um Psicoacústica 2. De fato, a faixa de abertura possui participação do ator de O Bandido da Luz Vermelha, filme cujos trechos foram sampleados no disco anterior, mas o resultado final não chega aos pés da obra-prima da banda.

Nem mesmo a presença de um grande hit (Tarde Vazia) fez o disco decolar. Aliás, a capa do disco (o teco-teco no solo, entendeu?) não podia refletir melhor o desastre comercial. Não que o grupo estivesse muito preocupado, já que as drogas não paravam de chegar e o baú do Edgard parecia sem fundo...

Faixa a faixa:

Melissa: Uma tentativa frustrada de emular Psicoacústica. Nota 7

Tarde Vazia: Céus, a simplicidade! Em vez de recorrer a filósofos e referências tortuosas, Scandurra vai direto ao ponto: Você me ligou naquela tarde vazia, e me valeu o dia. Aprende, Renato Russo! Não fez o sucesso que merecia. Nota 10

Efeito Bumerangue: Mais um riff pegajoso e certeiro de Scandurra embala esta porrada. Nota 9 

Boneca de Cera: Uma baladinha um tanto insossa, mas anos-luz à frente de coisas constrangedoras que o Ira! lançou depois. Nota 8

Cabeças Quentes: Sambinha-rock de primeira, com final a la Doors. Uma das grandes faixas de todos os tempos da banda. Nota 10 

O Dia, A Semana, O Mês: Do tempo em que Scandurra escarrava boas canções. Nota 9 

Patroa: pequena pérola (de menos de dois minutos). Nota 9

Consciência Limpa: Roquinho sem muito futuro, mas preenche bem o espaço. Nota 7

Clandestino: Com esse peso todo, ninguém diria que é a mesma banda que dois anos se disse farta do rock and roll. Nota 8

Nasci Em 62: Como nasci em 77, também não vi Kennedy morrer e tenho ainda menos para dizer sobre esta música... Nota 9

Comentários

  1. Respostas
    1. Meu favorito é o Psicoacústica. Mas acho que esse não teve o reconhecimento merecido...

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