Depois dos anos 1970, de volta à decada de 1980
Ano de lançamento: 1993
Melhor música: Perfeição
Faixas:
- Vinte e Nove (Renato Russo)
- A Fonte (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)
- Do Espírito (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)
- Perfeição (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)
- O Passeio da Boa Vista (Dado Villa-Lobos/Renato Russo)
- O Descobrimento do Brasil (Renato Russo/Marcelo Bonfá)
- Os Barcos (Renato Russo)
- Vamos Fazer um Filme (Renato Russo)
- Os Anjos (Dado Villa-Lobos/Renato Russo)
- Um Dia Perfeito (Dado Villa-Lobos/Renato Russo)
- Giz (Renato Russo)
- Love in the Afternoon (Dado Villa-Lobos/Renato Russo)
- La Nuova Gioventú (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)
- Só por Hoje (Dado Villa-Lobos/Renato Russo)
Comentário:
Primeira derrapada da Legião. Nada grave, a reputação deles sofreu apenas leves escoriações. Lembro-me de que havia grande expectativa em torno deste disco, o primeiro que realmente acompanhei e comprei no dia do lançamento. Afinal, eu estava com 15 anos na época, o público alvo da banda personificado.
Havia alguns rumores de que a Legião teria gravado um rap. Imaginem só o impacto de uma notícia dessas para um fã que ainda dava seus primeiros passos na descoberta do rock, que havia acabado de ouvir o Led Zepellin IV! Na verdade, tratava-se da faixa Perfeição, que de rap tem muito pouco além da longa letra de protesto cantada rapidamente.
É o ponto alto de um disco irregular, anos-luz à frente do que outras bandas da mesma geração faziam na época e o mais bem acabado do ponto de vista da sonoridade e produção. Porém, para usar uma expressão citada em uma das músicas da própria Legião, era mais do mesmo. Não era isso que você queria ouvir...
Faixa a faixa:
Vinte e Nove: Abertura forte, com letra esperta e um longo final instrumental que fica na cabeça. Nota 9
A Fonte: O excesso de produção, que tanto faltou aos primeiros discos da Legião, aqui acaba atrapalhando um pouco. Mas a música é boa. Nota 8
Do Espírito: Rock pesado, uma espécie de filha bastarda do samba "Vou Deitar e Rolar", de Baden Powell. Mas bem inferior, claro. Nota 6
Perfeição: Renato havia prometido por várias vezes pegar leve nas críticas e se dedicar a "temas maiores". Mas não resistiu e juntou, em uma única canção, todo o ressentimento de uma geração. Apesar de muito mais elaborada, não teve nem de longe a repercussão de Que País É Este. Nota 10
O Passeio da Boa Vista: Belíssima faixa instrumental, transição ideal para as canções seguintes. Nota 9
O Descobrimento do Brasil: A música título poderia ser uma Penny Lane da Legião, mas não vai muito longe. Mesmo assim é bem agradável. Nota 8
Os Barcos: Uma das melhores do disco e da última fase da carreira de Renato Russo. O disco seria grande se investisse nesta verve. Nota 10
Vamos Fazer um Filme: Tocou muito nas rádios e tem a cara da Legião dos anos 1980, mas nada inesquecível. Nota 8
Os Anjos: Simpática e, se não é a melhor coisa que a Legião já fez, pelo menos termina logo. Na época, ensinei o "Hoje não dá..." ao meu papagaio. Nota 8
Um Dia Perfeito: Lembra-se de O Mundo Anda Tão Complicado? Pois é, esta é uma espécie de continuação, que, como quase todas, é muito inferior à original. Nota 6
Giz: Renato deu um grande golpe publicitário na época da turnê do disco ao proclamar esta como a melhor música que já teria composto. De fato, a canção é boa, mas hoje ningúém mais lembra dela, ao contrário dos clássicos dos discos anteriores. Nota 8
Love in the Afternoon: Pior música da banda (até então). Letra lacrimosa com música arrastada, parece até uma gravação do Catedral. Nota 4
La Nuova Gioventú: Banda tenta retomar o peso perdido nas faixas anteriores, mas é difícil engrenar de novo. Nota 7
Só Por Hoje: Letra inspirada e baseada em fatos reais (Renato buscava ajuda nos Alcoólicos Anônimos) além de música e arranjos bem colocados salvam o disco no final. Nota 9
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