Psicoacústica

Outros sons, outras batidas, muitas pulsações e inovações

ira psico

Classificação: AAA

Ano de lançamento: 1988

Melhor música: qualquer uma!

Faixas:

  1. Rubro Zorro (Scandurra, Jung, Gaspa e Nasi)
  2. Manhãs de Domingo (Scandurra)
  3. Poder, Sorriso, Fama (Scandurra)
  4. Receita Para Se Fazer um Herói (Ira! e Reinaldo Edgar Ferreira)
  5. Pegue Essa Arma (Scandurra)
  6. Farto do Rock 'n' Roll (Scandurra e Gaspa)
  7. Advogado do Diabo (Nasi e André Jung)
  8. Mesmo Distante (Scandurra)

Comentário:

Eu não fui uma das 50 mil testemunhas a comprar o LP Psicoacústica no lançamento – um fiasco para os padrões da época. O meu exemplar veio apenas anos depois, quando o disco já era aclamado como um dos maiores do rock nacional. Na minha cabeça adolescente, era coisa de crítico fracassado elogiar tanto um disco que não tinha sequer uma música com apelo comercial. Como esse terceiro disco do Ira! poderia superar o anterior, praticamente uma compilação de grandes sucessos e clássicos da banda?

A verdade é que não há como comparar este Psicoacústica com nada que a própria banda ou nenhuma outra jamais tenha feito em termos de rock no Brasil. É um disco difícil, sem dúvida. À primeira audição, parece uma tentativa de autossabotagem, bem no clima de "foda-se" que marcava Scandurra e Cia. O grupo já era non grato em quase todos os programas de TV e festivais de rock e fez o favor de virar as costas também para o público. Assim, em vez de riffizinhos palatáveis como os de Envelheço na Cidade, as porradas de Rubro Zorro recepcionam o ouvinte. Onde estão os refrões assobiáveis? Em Pegue Essa Arma? Faz-me rir...

Chega a ser incrível que, em meio a todo esse caos, o Ira! tenha conseguido produzir um disco tão bom. Bom, não, espetacular! E da primeira à última nota. É aqui que Nasi alcança a plenitude como vocalista (antes de desabar ladeira abaixo nos anos 1990), Jung e Gaspa trabalham com uma harmonia única e Scandurra comanda a orquestra alcançando sons inimagináveis de sua fender. Isso sem falar na densa camada de sons e samplers (uma das novidades para a época) que parecia ser acessível apenas a faca. E o mais incrível é que o disco parece não ter a pretensão de ser genial. Não tem a pompa de um V, da Legião Urbana, tampouco a controvérsia de Cabeça Dinossauro, dos Titãs. É ousadia em estado bruto, lapidada por artesãos inspirados.

Faixa a faixa:

Rubro Zorro: Grande introdução, letra afiada, solo extraordinário! Nota 10

Manhãs de Domingo: Após os primeiros segundos ao som de um coral, cinco minutos de pancada e um riff poderosíssimo. A letra é a cara de Scandurra: repetições mil e variações sutis. Nota 10

Poder, Sorriso, Fama: Uma crítica aos críticos ou ao estilo mauricinho e complacente das outras bandas? Nota 9

Receita pra se Fazer um Herói: Seria o hit do disco, não fosse a polêmica de plágio. Edgard musicou um poema de um colega do Exército que não revelou que a verdadeira fonte era um poeta português. Tirando o fator extra-campo, a canção inova o repertório do Ira! e do próprio rock nacional, com a levada reggae. E a tamanha briga pela letra é justificável, pois é uma das melhores da banda. Nota 10

Pegue Essa Arma: Imagino a reação das pessoas ao ouvirem essa no rádio pela primeira vez... Música de trabalho mais improvável, impossível! Nota 10

Farto do Rock 'n' Roll: Se for verdade a lenda de que Nasi se recusou a cantar essa porque a considerou "forte demais", é um tremendo bundão esse vocalista... Ironicamente, é um rock maior que qualquer outro das bandas rivais. Nota 10

Advogado do Diabo: Revolucionária, pode ser considerada a primeira canção mangue bit da história, anos antes de Chico Science. Nota 10

Mesmo Distante: Balada também ao estilo Scandurra fecha o disco com maestria. Nota 9

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