Eles viram flores (e sucesso) em você
Ano de lançamento: 1986
Melhor música: Dias de Luta
Faixas:
- Envelheço na Cidade (Scandurra)
- Casa de Papel (Scandurra)
- Dias de Luta (Scandurra)
- Tanto Quanto Eu (Gaspa e Scandurra)
- Vitrine Viva (Luís Arnaldo Braga e Scandurra)
- Flores em Você (Scandurra)
- Quinze Anos (Vivendo e Não Aprendendo)
(Gaspa e Scandurra) - Nas Ruas (Scandurra)
- Gritos na Multidão (Scandurra)
- Pobre Paulista (Scandurra)
- Não Pague Pra Ver" (demo) (Scandurra)*
- Flores em Você (demo) (Scandurra)*
- Pobre Paulista (demo) (Scandurra)*
- Nasci em 62 (demo) (Scandurra)*
- Tanto Quanto Eu (demo) (Gaspa e Scandurra)*
Comentário:
O leitor desta Discoteca Completa pode não ter idade suficiente para se lembrar. Mas já houve um tempo em que a melhor estratégia para se divulgar o trabalho de um artista era tentar incluir uma uma canção do último disco na trilha sonora de uma novela. O nosso Ira!, portanto, ganhou um grande empurrão ao ter uma música logo na abertura de uma, e no horário nobre das oito!
Vivendo e Não Aprendendo é, de longe, o álbum mais bem sucedido comercialmente da banda. E tinha tudo para dar errado, já que as gravações foram um perrengue. Basta dizer que nada menos que quatro produtores passaram pelo disco. Além de Pena Shimidt, responsável pela ótima estreia do grupo, assinam a produção o ex-Mutante Liminha, com quem o grupo teve brigas homéricas, Vitor Farias, Paulo Junqueiro e a própria banda.
O resultado foi um disco um tanto desigual aqui e acolá, especialmente nas duas últimas faixas, registradas ao vivo porque a banda se recusou a gravá-las. Mas quem se importa com isso se o principal, que são as canções, nunca foram tão boas? A promoção certeira da gravadora WEA também contribuiu para as 250 mil cópias vendidas, embora dificilmente Vivendo e Não Aprendendo chegasse tão longe se Flores em Você não tivesse sido martelada em horário nobre durante quase um ano...
Faixa a faixa:
Envelheço na Cidade: Um dos hinos do rock nacional e das mais tocadas nas festinhas da minha juventude, muito antes de eu envelhecer na cidade. Nota 10
Casa de Papel: Crítica social ao modo do Ira!: sem a contundência de um Legião ou a grossura dos Titãs, mas certeira. Nota 9
Dias de Luta: Riff marcante, letra com sacadas tão inocentes quanto geniais ("Se meu filho nem nasceu, eu ainda sou o filho"). Extraordinária canção! Nota 10
Tanto Quanto Eu: Levada esperta, lembra um pouco o clima do primeiro disco. Nota 9
Vitrine Viva: Há quem adore essa música. Não é o meu caso. Nota 7
Flores em Você: Cada um tem a Eleanor Rigby que merece. Esta é a nossa, mas, por sorte, foi escrita por um Scandurra em fase inspirada. Nota 10
Quinze Anos (Vivendo e Não Aprendendo): "Seu amor hoje me alimentará amanhã". Quer coisa mais 15 anos? Nota 8
Nas Ruas: Acho que só consegui entender de fato o que Scandurra sentia quando compôs essa música quando me mudei para São Paulo e saí às ruas em uma noite de frio pela primeira vez. Nota 10
Gritos na Multidão: Fique parado ao ouvir essa, se puder. Nota 10
Pobre Paulista: Se ninguém me avisasse eu jamais me tocaria da polêmica sobre o racismo na letra ("Eu quero ver gente do meu sangue...") Scandurra sempre negou a intenção, e não tenho porque não acreditar nele. Nota 10
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