Lóki?

Gênio em transe

arnaldobaptistaloki

Classificação: AAA

Ano de lançamento: 1974

Melhor música: Será que Eu Vou Virar Bolor?

Faixas:

  1. Será que Eu Vou Virar Bolor? (Arnaldo Baptista)
  2. Uma Pessoa Só (Mutantes)
  3. Não Estou nem Aí (Arnaldo Baptista)
  4. Vou Me Afundar na Lingerie (Arnaldo Baptista)
  5. Honky Tonky (Patrulha do Espaço) (Arnaldo Baptista)
  6. Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki? (Arnaldo Baptista)
  7. Desculpe (Arnaldo Baptista)
  8. Navegar de Novo (Arnaldo Baptista)
  9. Te Amo Podes Crer (Arnaldo Baptista)
  10. É Fácil (Arnaldo Baptista)

Comentário:

A estreia solo de Arnaldo Baptista é um daqueles raros discos em que o ouvinte jamais escapa ileso. Minha primeira vez foi na casa de um amigo, em uma velha fita cassete. A voz dolorida e desafinada, cortada pelo piano amargo, a questionar: “O que é isso, meu amor? Será que eu vou virar bolor?” me nocautou no primeiro round.

A reação da minha namorada na época, a quem pedi o CD recém-relançado de presente, foi oposta: “Que coisa horrível, essa letra não tem o menor nexo”, ela disse, como uma Rita Lee desprovida de sentimentos.

A história diz que Arnaldo estava mal, muito mal, na época em que conseguiu aval da gravadora para gravar esse punhado de canções “sem o menor nexo”. Talvez por isso, ou pela lembrança do líder e gênio d’Os Mutantes de apenas dois anos antes, todos os ex-companheiros, exceto por Sérgio, mas incluindo o maestro Duprat, se reuniram para as gravações de “Loki?”. Despido da armadura mutante, Arnaldo revela uma extrema melancolia, inclusive nos raros momentos descontraídos do disco.

Isso quer dizer, então, que minha namorada na época era uma grande insensível que não soube perceber a beleza de um disco tão singular? Não, é claro. O fracasso de Loki? com ela, e também nas rádios, pode ser colocado na conta de Arnaldo. Ele jamais foi um primor de cantor, mas aqui não faz a menor questão de caprichar o mínimo nos vocais. Mas a conta pode ser dividida com o responsável pela capa do disco, uma das mais bizarras do rock nacional. Imagina isso em tamanho de vinil?

Faixa a faixa:

Será que Eu Vou Virar Bolor?: Mais que uma canção, o depoimento de uma mente sob ataque dela própria. Nota 10

Uma Pessoa Só: Sem as chatices progressivas, supera de longe a versão gravada pelos Mutantes. Nota 9

Não Estou nem Aí: Belíssima, inspiradora e lisérgica. E com vocais de Rita! Nota 10

Vou Me Afundar na Lingerie: Caberia em qualquer disco Mutante. Com um pouco mais de esmero de Arnaldo, seria candidata a hit. Nota 10

Honky Tonky: Instrumental pianística. Nota 8

Cê Tá Pensando que Eu Sou Lóki?: É a canção “ame ou deixe” do disco. Talvez a bossa mais esquisita já composta, maravilhosamente arranjada por Duprat. Nota 10

Desculpe: A mais dilacerante. É quase possível ver as entranhas expostas de Arnaldo. Nota 9

Navegar de Novo: Piano e voz acompanham um caminhão de imagens. Uma viagem à mente de Arnaldo. Nota 9

Te Amo Podes Crer: Depois das entranhas e a mente, chegamos ao coração. Nota 10

É Fácil: O violão (de 12 cordas) só dá as caras na última faixa, como para mostrar que o irmão Sérgio era desnecessário. Nota 8

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