A Revolta dos Dândis

Além do mito que limita o preconceito 
revolta dos dandis
Classificação: AAA

Ano de lançamento: 1987

Melhor música: GUARDAS DA FRONTEIRA (não, não é Infinita Highway…)

Faixas:
  1. A Revolta Dos Dândis I
  2. Terra De Gigantes
  3. Infinita Highway
  4. Refrão De Bolero
  5. Filmes De Guerra, Canções De Amor
  6. A Revolta Dos Dândis II
  7. Além Dos Outdoors
  8. Vozes
  9. Quem Tem Pressa Não Se Interessa
  10. Desde Aquele Dia
  11. Guardas Da Fronteira
    (todas as músicas compostas por Humberto Gessinger)
Comentário:

Não, não pode ser. Eu tenho que encontrar um defeito neste disco. Não posso colocar um disco dos Engenheiros do Hawaii no mesmo patamar de Mutantes, Ira! e Legião Urbana… O que fazer, então?

Eu poderia denegrir a produção precária. Mas não, a simplicidade dos arranjos desta vez só ressalta o lirismo das canções. E temos pelo menos dois hinos absolutos aqui: Infinita Highway e Terra de Gigantes. Ambos sustentados apenas pela força das letras e lustrados pelas melodias – brutas e belas.

O que dizer do encarte, então? Por que diabos as fotos são da formação anterior da banda, se Marcelo Pitz não toca nem sequer em uma canção? Humberto Gessinger assumiu o baixo e deixou as seis cordas para um especialista. Augusto Licks trouxe consigo uma sofisticação que fez o disco anterior parecer um trabalho de amadores (e não era?).

Desisto. Não há nada além de perfeição em A Revolta dos Dândis. As autorreferências nas letras, os vocais de Gessinger e os arranjos nada criativos, que se tornariam um problema nos discos seguintes dos Engenheiros, são certeiros aqui.

Os chatos de plantão podem apontar uma série de bobagens nas letras do líder da banda. “Eles têm razão, mas a razão é só o que eles têm”, responderia Gessinger. Mas se você é um dos que torcem o nariz para os Engenheiros (e tem ótimas razões para tal), conviva com essa realidade: eles fizeram um grande disco.

Faixa a faixa:
A Revolta Dos Dândis I: Violão e gaita conduzem o ouvinte entre o real e o abstrato, a loucura e a lucidez. Nota 9

Terra de Gigantes: Clássico do cancioneiro Engenheiro e do Facebook. Nota 10

Infinita Highway: Momento absoluto de inspiração de Gessinger, essa é uma daquelas canções que só se faz uma vez na vida, dessas que a gente nunca canta sem razão. Nota 10

Refrão de Bolero: Uma das melhores canções de amor/ódio já escritas. Atrai os meus instintos mais sacanas. Nota 10

Filmes De Guerra, Canções De Amor: Maltz transforma a cozinha dos Engenheiros em uma pequena escola de samba. Nota 10

A Revolta Dos Dândis II: Longe de ser uma mera reprise do tema inicial, diverte. Nota 8

Além dos Outdoors: “As coisas mudam de nome, mas continuam sendo o que sempre serão.” Gessinger dilui a filosofia, mas com competência. Nota 8

Vozes: Uma das melhores do disco, quase destruída pelo final com voz de pato. Chamem um produtor decente, meus filhos… Nota 9

Quem Tem Pressa Não Se Interessa: O auge do minimalismo: baixo e bateria. Mas eles não se interessam por questões de estilo. Nota 8

Desde Aquele Dia: O disco é tão bom que esta pérola quase fica esquecida. Nota 9

Guardas Da Fronteira: Filosofia, humor negro e trocadilhos espertos em forma de arte, regados pelo baixo, guitarra e bateria marcantes. Com participação nos vocais (e que vocais!) de Julio Reny. Nota 10

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