O Papa é Pop

Um tiro à queima-roupa. E certeiro

o papa é pop

Classificação: BBB

Ano de lançamento: 1990

Melhor música: O PAPA É POP

Faixas:

  1. O Exército De Um Homem Só I (Gessinger / Licks)
  2. Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones (Versão de Brancato Júnior)
  3. O Exército De Um Homem Só II (Gessinger / Licks)
  4. Nunca Mais Poder (Gessinger / Licks)
  5. Pra Ser Sincero (Gessinger / Licks)
  6. Olhos Iguais Aos Seus (Gessinger)
  7. O Papa É Pop (Gessinger)
  8. A Violência Travestida Faz Seu Trottoir  (Gessinger)
  9. Anoiteceu Em Porto Alegre (Gessinger)
  10. Ilusão De Ótica (Gessinger)
  11. Perfeita Simetria (Gessinger)

Comentário:

Se a minha mãe sabe até hoje da existência de uma banda chamada Engenheiros do Hawaii, a razão é este disco. Quando lançaram O Papa é Pop, Gessinger e cia já tinham uma certa rodagem e uma penca de fãs para chamar de seus. Mas os maiores hits, aqueles pelos quais a banda ficou conhecida na Praça da Sé, estão aqui.

Antes de mais nada, este é um disco de ironias. A começar pelo grande sucesso, o maior de toda a carreira da banda, não ser uma canção composta pelo “gênio” Gessinger. “Era um garoto… blá blá blá” é uma versão de uma música italiana feita pelos Incríveis. Uma canção com tema pacifista vertida para o português por um grupo conhecido por ter sido alinhado com o regime militar brasileiro…

Os Engenheiros nada tem a ver com isso, é claro. A a versão da versão tocou, mas tocou até encher o saco. Do ouvinte ocasional ao mais fanático admirador da banda.

A segunda ironia vem do fato de o disco mais pop do grupo, como bem antecipa o título, trazer também canções difíceis (e chatas). Que poderiam ser salvas, quem sabe, com uma boa produção. Mas a banda decidiu não só dispensar o produtor dos primeiros discos como assumiu por conta própria os créditos pelo trabalho. Com resultados sofríveis e arranjos pasteurizados em várias passagens.

Do ponto de vista sonoro, há uma clara preferência pelos teclados em detrimento dos violões e percussões anteriores. O que acaba tornando várias canções com prazo de validade vencido.

Mas em alguns momentos (quase) tudo funciona em perfeita simetria, como na faixa título. Uma das grandes letras de Gessinger (odiada em igual proporção por seus detratores), O Papa É Pop virou uma marca tão forte que se tornou uma expressão usada toda vez que alguém quer ressaltar um gesto popular do sumo pontífice. O que fez a canção se tornar mais atual que nunca com esse papa argentino que gosta de “causar”…

Faixa a faixa:

O Exército De Um Homem Só I: Supervalorizada. Dá pra ver que o Gessinger pesa a mão na letra pra forçar goela abaixo um clássico. Nota 8

Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones: Imagino que, para o Gessinger, deve ter sido difícil repetir um sem número de vezes “rá-tá-tá-tá-tá…” Mas a canção é ótima. Nota 9

O Exército De Um Homem Só II: Desnecessária, só serve para engrandecer artificialmente uma música que não é tão grande assim. Nota 5

Nunca Mais Poder: Talvez a única canção do disco que se encaixaria em qualquer outro da banda. Nota 8

Pra Ser Sincero: Grande canção, um clássico Engenheiro definitivo. Mas os teclados exagerados dos arranjos destoam um pouco. Nota 10

Olhos Iguais Aos Seus: E dá-lhe teclados! Aqui até que eles funcionam bem. Nota 8

O Papa É Pop: Uma tese acadêmica que defenda a canonização ou a excomunhão (para ficar no trocadilho papal) de Humberto Gessinger poderia usar a letra desta canção como argumento. Eu fico com o primeiro grupo (neste caso). Mas ninguém merece aquele gritinho no fim, não é mesmo? Nota 10

A Violência Travestida Faz Seu Trottoir: O disco começa a ficar chato. Mas com dois minutos a menos a canção se salvaria. Nota 5

Anoiteceu Em Porto Alegre: Os fãs adoram. Eu também adoraria, se tivesse uns quatro minutos a menos. Nota 7

Ilusão De Ótica: Não tenho paciência para descobrir mensagens ocultas em canções. Nota 6

Perfeita Simetria: Coisas de Gessinger: desperdiçar uma boa letra numa mesma canção. Nota 8

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