Legião do Hawaii ou Engenheiros Urbanos?
Classificação: A
Ano de lançamento: 1993
Melhor música: ANDO SÓ
- Mapas do Acaso (Humberto Gessinger)
- Além dos Outdoors (Humberto Gessinger)
- Pra Entender (Humberto Gessinger)
- Quanto Vale a Vida? (Humberto Gessinger)
- Crônica (Humberto Gessinger)
- Pra Ser Sincero (Humberto Gessinger / Augusto Licks)
- Muros & Grades (Humberto Gessinger / Augusto Licks)
- Alívio Imediato (Humberto Gessinger)
- Ando Só (Humberto Gessinger)
- O Exército de Um Homem Só (Humberto Gessinger / Augusto Licks)
- Às Vezes Nunca (Humberto Gessinger)
- Realidade Virtual (Humberto Gessinger)
Comentário:
Todo mundo esperava pelo novo disco ao vivo dos Engenheiros do Hawaii. Todo mundo sabia que eles, seguindo o (péssimo) exemplo do Rush, lançariam um disco ao vivo a cada três inéditos, e esse era o caso. Mas por mais previsível que fosse o produto final, deviam ser poucos os que sabiam dos reais planos da banda de Humberto Gessinger.
A aposta em um disco acústico, ou “quase” para os mais xiitas, na certa pagaria uma boa grana ao vencedor. Se bem que, depois dos excessos de Gessinger, Licks e Maltz, uma volta às raízes não seria uma ideia descabida. Mas lembre-se: estamos em 1993, e o formato que a MTV exploraria até a última gota apenas começava a mostrar seu potencial. O “unplugged” do Nirvana, considerado a pedra fundamental no conceito, fora gravado naquele mesmo ano e só sairia meses após a morte de Kurt Cobain.
Voltando aos Engenheiros, Filmes de Guerra, Canções de Amor (talvez um dos melhores títulos de música já feitos) surpreende, embora a sonoridade, logo à primeira audição, remeta o ouvinte a uma outra banda nacional cultuada por uma legião de fãs. A coincidência não é por acaso. Quem produz o álbum é Mayrton Bahia, o mesmo dos discos clássicos do grupo de Renato Russo. E ele parece se esforçar por fazer o som dos Engenheiros soar mais “urbano”, digamos assim.
Não me entendam mal, o acréscimo do produtor veio em boa hora. As versões acústicas de canções menos conhecidas da banda ficaram muito melhores que as originais. Para não dizer as que ganharam toda uma nova envergadura. O exemplo clássico é “Ando Só”, que no lugar das guitarras desajustadas ganha um belo arranjo de cordas. As músicas inéditas também são boas, com destaque para “Mapas do Acaso”.
Quem quase põe tudo a perder, para variar, são os fãs. Ao contrário do disco ao vivo anterior, aqui a plateia só atrapalha. Diz a lenda que a apresentação da banda precisou ser regravada porque, na primeira versão, mal se conseguia ouvir os instrumentos em meio à histeria geral.
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