Caiu na net, Hermano!
Classificação: A
Ano de lançamento: 2003
Melhor música: O VENCEDOR
Faixas:
- Samba a Dois (Marcelo Camelo)
- O Vencedor (Marcelo Camelo)
- Tá Bom (Marcelo Camelo)
- Último Romance (Rodrigo Amarante)
- Do Sétimo Andar (Rodrigo Amarante)
- A Outra (Marcelo Camelo)
- Cara Estranho (Marcelo Camelo)
- O Velho e o Moço (Rodrigo Amarante)
- Além do Que Se Vê (Marcelo Camelo)
- O Pouco Que Sobrou (Marcelo Camelo)
- Conversa de Botas Batidas (Marcelo Camelo)
- Deixa o Verão (Rodrigo Amarante)
- Do Lado de Dentro (Marcelo Camelo)
- Um Par (Rodrigo Amarante)
- De Onde Vem a Calma (Marcelo Camelo)
Comentário:
Dentro da cartilha “quero ser cult” do Los Hermanos, ainda faltava algo: ter um disco vazado na internet. Até “Ventura” suprir essa carência. Foi um dos primeiros casos conhecidos de discos nacionais que apareceram primeiro na rede. Pensem: estamos em 2003, quando os estragos nucleares provocados pelo Napster ainda eram contabilizados pela indústria musical.
Entre as vítimas da nova ordem estava a Abril Music, gravadora com quem a banda havia brigado no disco anterior, mas com a qual mantinha contrato. Por sorte, eles conseguiram se abrigar na BMG, mas com a notícia do vazamento uma penca de gente (inclusive eu) correu para baixar antes do lançamento oficial.
Na época, não foram poucas as teorias da conspiração, como a de que de um ex-executivo magoado da Abril teria sido o responsável por colocar as músicas na rede. Ou ainda que a própria banda teria cometido o “crime”, a fim de atrair a atenção da mídia.
De fato, não faltou marketing para o lançamento após o episódio, e creio que as vendas do disco não tenham sido afetadas severamente. Eu mesmo comprei um CD logo depois, com a consciência a me pesar pelo “delito”.
Polêmicas tecnológicas e midiáticas de lado, não há muito a falar sobre a música em si. O disco é bom, mais maduro e a quilômetros de distância da maior parte da produção do rock nacional da época. Mesmo com esses atributos, é inferior ao trabalho passado, o que não deixa de ser decepcionante se pensarmos que o objetivo de toda boa banda é sempre evoluir.
Faixa a faixa:
Samba a Dois: Do que é feito o samba? A dúvida de Camelo é pertinente: ele parece mesmo não saber. Nota 8
O Vencedor: “Loser Manos” em seu estado bruto. Rock com letra um tanto melancólica, recheado por metais na mesma toada. Nota 9
Tá Bom: Camelo evoluiu nas letras, mas a canção derrapa um pouco aqui. Nota 8
Último Romance: “E até quem me vê lendo jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei”. Sensacional, Amarante! Nota 8
Do Sétimo Andar: O produtor Kassin não aliviou os vocais de Amarante, que estão terríveis, mas de certo modo charmosos. Nota 7
A Outra: Valeu a tentativa, Camelo, mas você não é Chico Buarque. Nota 6
Cara Estranho: De volta ao habitat natural, Camelo se vira melhor. Nota 8
O Velho e o Moço: Amarante canta em carioquês castiço. Nota 6
Além do Que Se Vê: “E tira o som dessa TV pra gente conversar”. Boa! Nota 8
O Pouco Que Sobrou: Sem muita frescura, um bom e típico rock Hermano. Nota 8
Conversa de Botas Batidas: Uma das mais bonitas do disco. Eu adoro o final com o coro! Nota 9
Deixa o Verão: Me identifico muito com essa. Sou o próprio que deixa o verão pra mais tarde. Mas esse vocal do Amarante tá de matar de ruim. Até nisso se parece comigo… Nota 8
Do Lado de Dentro: Mais um momento “quero ser Chico”. O próximo! Nota 6
Um Par: “Pais e Filhos” versão Loser Manos. Nota 8
De Onde Vem a Calma: Boa pra encerrar o disco, mas não vai muito mais longe. Nota 8
Com certeza o melhor disco deles! Na verdade acho que é mais uma questão de gosto, já que O Bloco do Eu Sozinho têm letras saudosistas e um ritmo de tango apaixonado, além de ter tido mais influência na própria MPB, até por ter bebido dela. Porém, ainda acho o Ventura mais complexo.
ResponderExcluirEu acho as letras de "Ventura" melhores, mas meu favorito ainda é "O Bloco". De todo modo, vc tem razão, trata-se apenas de uma questão de gosto. Ambos são ótimos.
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