O título do meu segundo romance não poderia ser mais apropriado. E digo isso sem querer contar vantagem, porque a escolha não foi minha.
A história dentro da história remonta a 2008, pouco depois do lançamento de “O Roteirista”. Ainda dominado pelo “espírito” de Alberto Franco, o meu “antiego”, batuquei em pouco mais de três meses um novo livro, que contava as desventuras de Franco ao tentar adaptar para o cinema o roteiro de um romance obscuro, convidado por uma atriz ninfomaníaca, pela qual se apaixona – e não é correspondido.
Havia um fio metafísico (e metalinguístico) condutor: “tudo está escrito”? Se a história chega às livrarias e um leitor toma o livro nas mãos, nada mais pode ser feito por quem conta a história? Eu duvido. Não por acaso, o relato é contado a um interlocutor oculto, à primeira vista confundido com o próprio leitor. Sobre esse pretenso pano de fundo pairam as velhas putarias do nada confiável Franco, às voltas com frustrações amorosas, profissionais e pessoais.
Com o título provisório de “Regressão”, deixei o livro adormecer por uns três meses depois de pronto antes de retomá-lo para as revisões, uma prática que adoto para tentar avaliar as histórias com um maior distanciamento. Nesse meio tempo, tomado pelo interesse de escrever coisas novas, perdi o interesse pelo projeto. Só fui revisitar a história três anos mais tarde e, para minha surpresa, me diverti um bocado com várias das passagens. Achei, então, que o romance merecia uma segunda chance.
Na nova revisão, enfatizei as partes (tragi)cômicas e deixei a metafísica em segundo plano. Rebatizado, o livro virou “Gigolô Abandonado”. E foi assim que o apresentei ao pessoal da Geração Editorial, lá pelos idos de 2012.
A publicação, no entanto, arrastou-se bem mais do que esperava. A ponto de eu “abandonar” o livro novamente. As notícias sobre o romance só voltaram no início deste ano, quando a editora confirmou o lançamento e a conclusão da preparação dos originais. Foi quando fui informado da mudança do título, que perdeu o “Gigolô” por alegadas razões comerciais.
Não sei se a recepção será positiva ou não, espero apenas que ninguém fique indiferente à história após a leitura. No meu caso em particular, devo dizer que custei um pouco a me acostumar com mudança para “Abandonado”. Afinal, eu já tratava o livro intimamente apenas como “Gigolô”. Mas quem sabe tudo já não estava escrito?
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