Cabeça Dinossauro

Estou ficando surdo de tanto escutar



















Classificação: AAA

Ano de lançamento: 1986

Melhor música: Qualquer uma, hoje eu fico com HOMEM PRIMATA

Faixas:

  1. Cabeça Dinossauro (Arnaldo Antunes / Branco Mello / Paulo Miklos)
  2. AA UU (Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
  3. Igreja (Nando Reis)
  4. Polícia (Tony Bellotto)
  5. Estado Violência (Charles Gavin)
  6. A Face do Destruidor (Arnaldo Antunes / Paulo Miklos)
  7. Porrada (Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)
  8. Tô Cansado (Arnaldo Antunes / Branco Mello)
  9. Bichos Escrotos (Arnaldo Antunes / Sérgio Britto / Nando Reis)
  10. Família (Arnaldo Antunes / Tony Bellotto)
  11. Homem Primata (Sérgio Britto / Marcelo Fromer / Nando Reis / Ciro Pessoa)
  12. Dívidas (Arnaldo Antunes / Branco Mello)
  13. O Quê (Arnaldo Antunes)

Comentário:

Difícil explicar o impacto que provocou esse disco na época do lançamento. Para um garoto de nove anos como eu, basta dizer que foi uma experiência libertadora. Eu me lembro de pôr para tocar a fita cassete que trazia na capa daquele ser bizarro (e que apenas muito depois descobri se tratar de uma obra de Leonardo da Vinci) na casa de uma prima alguns anos mais velha. Aos primeiros versos, gritados, da faixa que abre o disco, ela correu na minha direção e disse:

– Está maluco, Vini? Vai ficar uma semana de castigo se a tua mãe te pega ouvindo esse disco.

Foi assim, com essa aura de “disco proibido”, que fui apresentado a Cabeça Dinossauro. Nem preciso dizer que escutá-lo logo se tornou uma obsessão. Minha prima me emprestou a fita cassete, com a condição de ouvi-la no volume mais baixo possível. Ela tinha razão: se mamãe escutasse, ou pior, me escutasse balançando a cabeça ao som de “Igreja” era capaz de chamar um padre para me exorcizar.

Exagero? Bem, se você acha isso provavelmente não viveu nos anos 1980, pelo menos não em uma família católica tradicional. Não era qualquer um que se atrevia a cantar coisas como “eu não gosto de Cristo, eu não tenho religião”.

O terceiro disco dos Titãs também marcou uma ruptura na carreira da banda. Quem se habituara a ouvir os oito mauricinhos paulistanos cantando coisas como “Eu preciso de você agora / por favor meu bem não vá embora”, deve ter levado um choque e tanto ao se deparar com letras como “Bichos Escrotos”. Se os palavrões já eram considerados ousados para quem era crescido naquela época, imaginem para uma criança como eu, que era proibido de pronunciá-los em voz alta?

Mas “Cabeça Dinossauro” vai além das letras. Nas mãos de Liminha, o produtor certo na hora certa, as canções ganharam o peso e a consistência necessários para colocar os Titãs no Olimpo (trocadilho detected…) do rock nacional. Para mim, eles foram os maiores (e os mais tocados no meu velho aparelho de som) até a adolescência, quando a Legião Urbana lhes tomou o posto e não mais devolveu…

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Faixa a faixa:

Cabeça Dinossauro: A temperatura esquenta com as guitarras distorcidas, percussão tribal e vocais cavernosos. Nota 9

AA UU: Pop raivoso, para ficar dentro do clima do disco. Nota 8

Igreja: Pode soar meio boba hoje, mas na época a música de Nando Reis chocou. Nota 9

Polícia: A vingança de Tony Bellotto contra a prisão por porte de drogas veio a cavalo, quer dizer, a guitarra. Nota 10

Estado Violência: Os Titãs fizeram um dos melhores negócios da história do rock brazuca ao substituir André Jung por Charles Gavin na bateria. Além de melhor músico, ele ainda manda bem nas composições… Nota 8

A Face do Destruidor: Os trinta (e poucos) segundos mais violentos do disco. Nota 8

Porrada: "Nota dez para as meninas da torcida adversária..." (e para o menino Arnaldo Antunes). Nota 10

Tô Cansado: Mais uma porrada de Arnaldo Antunes, agora em dupla com Branco Mello. Nota 9

Bichos Escrotos: Paulo Miklos destrói nos vocais. O “vai se fudê” mais bem cantado da história da música, até porque não há muitos competidores… Nota 10

Família: Cachorro, gato, galinha… a única canção que todos da família podiam escutar. Nota 9

Homem Primata: Aprendi com os Titãs que a vida é um jogo. Cada um por si e… Nota 10

Dívidas: Provavelmente seria (mais um) um sucesso se tivesse saído um ano depois, com a ressaca pós Plano Cruzado. Nota 7

O Quê: Poesia concreta e batidas eletrônicas, tudo ao mesmo tempo (agora?) Nota 10

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