Chico Buarque (1978)

Mulher, você vai gostar

Classificação: A

Ano de lançamento: 1978

Melhor música: FEIJOADA COMPLETA

Faixas:
  1. Feijoada Completa (Chico Buarque)
  2. Cálice (Chico Buarque / Gilberto Gil)
  3. Trocando em Miúdos (Chico Buarque / Francis Hime)
  4. O Meu Amor (Chico Buarque)
  5. Homenagem ao Malandro (Chico Buarque)
  6. Até o Fim (Chico Buarque)
  7. Pedaço de Mim (Chico Buarque)
  8. Pivete (Chico Buarque / Francis Hime)
  9. Pequeña Serenata Diurna (Silvio Rodríguez)
  10. Tanto Mar (Chico Buarque)
  11. Apesar de Você (Chico Buarque)

Comentário:
Se este blog existe, ou pelo menos tem o nome que tem, a culpa é desse cidadão aí de cima com pinta de malandro. Eu escutava justamente o disco lançado por Chico Buarque em 1978 quando tentava criar um título de blog musical ainda não ocupado por outros usuários do Blogger.

Depois de uma dúzia de nomes rejeitados ou indisponíveis, fui buscar na receita da feijoada de Chico a inspiração de batizar este humilde espaço, destinado a comentar todos os discos de todos os artistas ao meu alcance, de Discoteca Completa.

Eu tinha até feito uma paródia da letra de Feijoada Completa para usar no post inaugural do blog, mas para o bem geral da nação diga ao povo que perdi o papel em que rascunhei os versos…

Depois de todo esse prólogo comovente, você deve imaginar então que eu devo ter um carinho todo especial por esse disco, certo? Na verdade, não. Tanto que ele foi apenas o 110º a entrar no blog. E foi só ao tornar a ouvi-lo para escrever este texto que me lembrei de toda a história…

Isso não significa que o disco não seja bom. Afinal, estamos falando de Chico Buarque. E um Chico Buarque que começava enfim a se livrar da marcação cerrada da censura.

Para testar a tal da “abertura lenta e gradual” prometida pelo governo, ele empacotou no disco homônimo de 1978 canções geniais e quase míticas que foram tesouradas pelos milicos, como CáliceApesar de Você e Tanto Mar.

Os críticos (e comentaristas de internet de hoje) podiam bem dizer que a inclusão dessas músicas foi nada mais que um gesto preguiçoso para encher o buraco de um disco meio colcha de retalhos, mais até que o anterior. O problema, para os críticos, é que com a qualidade desses retalhos qualquer colcha vira uma obra de arte.

Mas o que mais chamou a atenção na época, segundo contam, não foi nenhum detalhe artístico, e sim a mudança de visual de Chico. A capa do disco o estampava sem o bigode que ostentou por boa parte dos anos 1970.

"O que aquele gesto representava?", perguntavam-se intelectuais, filósofos, políticos e generais? Um protesto silencioso contra a ditadura? Uma propaganda disfarçada da Gilette? O prenúncio de uma revolução estética? Ou só um jeito de pegar (ainda mais) mulher? Com a palavra, os comentaristas de internet…


Faixa a faixa:

Feijoada Completa: Impossível escutar essa num sábado de sol lá pela hora do almoço sem sentir o estômago roncar e a garganta secar… Nota 10

Cálice: Eu sei, é um clássico. Mas a interpretação do Milton e os arranjos ficaram um pouco grandiloquentes demais pro meu gosto. Nota 8

Trocando em Miúdos: Também não entra na minha lista de favoritas do Chico, mas é uma bela e dolorida canção sobre separação. Nota 8

O Meu Amor: Talvez a mais safada das letras de Chico, mas acho que cola muito mais aos ouvidos femininos. Nota 7

Homenagem ao Malandro: Candidatos a malandro federal, como diz a letra desta pérola de Chico, temos aos montes nos últimos tempos… Nota 8

Até o Fim: Quem não gosta do Chico como cantor gosta de comparar a versão desta música dele com a interpretação do Ney Matogrosso. Mas a voz chinfrim do narrador da canção combina muito mais com Chico. Nota 9

Pedaço de Mim: Um pedaço de mim ainda gosta muito desta música. Outro pedaço já enjoou. Nota 7

Pivete: Típica melodia de Francis Hime feita sob medida para a letra de Chico deitar em cima e fazer estrago. Nota 8

Pequeña Serenata Diurna: Única canção não escrita por Chico para o disco. É boa, mas acaba varrida pelas duas músicas finais. Nota 7

Tanto Mar: Bela homenagem de Chico à Revolução dos Cravos em Portugal, que aparece pela primeira vez completa depois de ser censurada e lançada apenas em versão instrumental deste lado do Atlântico. Nota 10

Apesar de Você: A canção censurada na época do espetacular Número 4, no auge da ditadura, custou a ser liberada. E o refrão ainda levaria mais uma década para virar realidade… Nota 10

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