Saúde - Rita Lee em "O Amor é Surdo"

 Resenha: A Favorita do Roberto

Classificação: BBB

Ano de lançamento: 1981

Melhor música: MUTANTE

Faixas:

  1. Saúde (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  2. Tatibitati (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  3. Mutante (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  4. Tititi (Galinhagem) (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  5. Banho de Espuma (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  6. Atlântida (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  7. Favorita (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  8. Mother Nature (Mamãe Natureza) (Rita Lee)

Comentário:

Dizem que o amor é cego, mas quem ouvir Saúde pode concluir que o nobre sentimento atingiu Rita Lee em outro sentido. Apenas uma perda seletiva da audição provocada pelo amor justifica que ela tenha permitido -- e aprovado -- o parceiro de vida e de música à frente do microfone.

Sim, meus amigos, Roberto de Carvalho canta. E não apenas nos backing vocals como nos discos anteriores. Em Saúde, ele tem uma faixa inteira para brilhar -- e punir nossos ouvidos.

Quem sabe seja tudo uma grande ironia de Rita. Afinal de contas, seria uma molecagem bem típica da eterna mutante.

Primeira pista: o nome da famigerada canção que traz Roberto aos vocais se chama Favorita. E que tal essa letra, com versos do naipe Perfumado de jasmim / Você é o meu jardim?

Intrigado, busquei referências de Favorita até na autobiografia da Rita, mas não há nenhuma menção à estreia do maridão como vocalista solo num disco da dupla. E vejam que o que não falta nesse livro são elogios ao talento de Roberto de Carvalho...

Mas vamos prosseguir porque as novidades do disco (felizmente) vão muito além de Roberto aos vocais. São apenas oito faixas, incluindo uma versão em inglês de Mamãe Natureza.

O que poderia indicar cansaço criativo foi apenas uma imposição da censura. Segundo Rita, mais de 30 faixas foram escritas para Saúde, mas a maioria acabou barrada.

Para qualquer artista, essa seria uma perda irreparável. Não para Rita, que estava em uma fase iluminada. Entre as canções que sobraram, quatro se tornaram hits de rádio e/ou de novela.

A mais representativa delas sem dúvida é Mutante. A balada pop é uma espécie de reconciliação com o passado. Rita saiu d'Os Mutantes, mas ela não se tornou menos mutante por isso. Ao contrário, talvez seja quem mais fez valer a alcunha. E os discos desta fase da carreira dela -- incluindo este Saúde, é claro -- são a prova.

O disco, portanto, é muito maior do que a curiosa aventura vocal de Roberto de Carvalho -- e não será a única, já aviso.

Entre censura, hits radiofônicos e uma Rita Lee artisticamente impossível de parar, acaba funcionando como mais uma prova de que a fase com Roberto pode até exagerar no açúcar — mas ainda produz pop brasileiro em estado de graça.

Faixa a faixa:

Saúde: Instrumental lá no alto, letra redonda e uma certeza: Rita fez um monte de gente feliz. Nota 9

Tatibitati: A própria Rita reconheceu que esta não foi a sua canção mais inspirada, mas tem o seu charme. Nota 7

Mutante: Rita Lee pode mudar de parceiro, de roupa, de fase e até de planeta sonoro — mas continua sendo mutante. Poucas músicas da carreira dela resumem tão bem essa capacidade de se reinventar sem perder identidade. Nota 10

Tititi (Galinhagem): Virou tema de novela duas vezes. Primeiro em uma versão mais acelerada (e melhor) do grupo Metrô, e depois com a própria Rita no remake dos anos 2000. Nota 7

Banho de Espuma: Essa marchinha rock-carnavalesca quase foi censurada, mas Rita a salvou trocando alguns versos, sem perder a ternura (nem a safadeza). Nota 8

Atlântida: Assim como a cidade que deu origem à canção, é o clássico perdido do disco. Nota 9

Favorita: A voz de Roberto está longe de ser o único problema desta música. Mas é preciso reconhecer: ela gruda no ouvido. Nota 2

Mother Nature (Mamãe Natureza): Dá pra sentir que a versão em inglês de Mamãe Natureza entrou no disco para tapar buraco, mas pelo menos Rita transforma até sobra de estúdio em algo animado. Nota 5

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