Sinal Fechado

Seleção brasileira com Pelé no banco



















Classificação: AA

Ano de lançamento: 1974

Melhor música: COPO VAZIO

Faixas:
  1. Festa Imodesta (Caetano Veloso)
  2. Copo Vazio (Gilberto Gil)
  3. Filosofia (André Filho / Noel Rosa)
  4. O Filho Que Eu Quero Ter (Toquinho / Vinícius de Moraes)
  5. Cuidado Com a Outra (Nelson Cavaquinho / Augusto Tomaz Jr.)
  6. Lágrima (Jackson do Pandeiro / José Garcia / Sebastião Nunes)
  7. Acorda Amor (Julinho da Adelaide / Leonel Paiva)
  8. Ligia (Tom Jobim)
  9. Sem Compromisso (Nelson Trigueiro / Geraldo Pereira)
  10. Você Não Sabe Amar (Carlos Guinle / Dorival Caymmi / Hugo Lima)
  11. Me Deixe Mudo (Walter Franco)
  12. Sinal Fechado (Paulinho da Viola)
Comentário:

Consegue imaginar, meu caro e raro leitor, se algum generalzinho na época sombria da ditadura decidisse proibir Pelé de jogar futebol no auge da carreira? Foi mais ou menos o que aconteceu com Chico Buarque pelos idos de 1974.

Depois da censura que proibiu a encenação de Calabar e da mutilação do disco com as músicas da peça, Chico se viu perseguido de tal forma que não conseguiria reunir material próprio suficiente para um próximo disco. Foi então que teve a ideia de gravar canções de outros compositores. E o resultado magistral foi este Sinal Fechado.

Impedido de fazer gols, Chico decidiu atuar como técnico, e montou seu disco com o que havia de melhor, mesclando juventude e experiência: Caetano no gol; Gilberto Gil e Jackson do Pandeiro nas laterais; a zaga formada por Noel Rosa e Vinícius de Morais; Nelson Cavaquinho, Tom Jobim e Dorival Caymmi no meio; e formando o ataque com Geraldo Pereira, Walter Franco e Paulinho da Viola.

Diante de tal seleção, passou batido pelos adversários da ditadura o nome de dois compositores desconhecidos: Julinho da Adelaide e Leonel Paiva. A canção da dupla sobre um pacato cidadão que manda chamar o ladrão para protegê-lo da polícia (e dos milicos?) driblou a censura, mais preocupada com a marcação em cima de Chico.

A jogada se mostrou certeira: ambos eram, na verdade, pseudônimos do cantor. Como desde aquela época a zoeira não tinha limites, Julinho chegou até a ser “entrevistado” pelo escritor Mário Prata para o jornal Última Hora.

Apesar de brilhante, Sinal Fechado jamais deveria existir se vivêssemos em um país normal. Por isso, crianças, concordem ou não com as opiniões de Chico Buarque, não deixem de lutar pelo direito dele ou de quem quer que seja de se expressá-las.

Faixa a faixa:

Festa Imodesta: Homenagem de Caetano a todos os compositores, e um presente para Chico. Nota 9

Copo Vazio: Uma das mais belas composições de Gilberto Gil. E olha que estamos falando do Gil! Nota 10

Filosofia: Samba clássico de Noel, um dos heróis de Chico. Nota 8

O Filho Que Eu Quero Ter: De rasgar a alma de tão linda e melancólica… Nota 10

Cuidado Com a Outra: Um choro para cicatrizar as feridas. Nota 8

Lágrima: Para colocar na timeline do face daquele seu ex-namorado(a)… Nota 8

Acorda Amor: Genial provocação à ditadura, que só podia ser assinada pelos pseudônimos Julinho da Adelaide e Leonel Paiva… Nota 9

Ligia: Tom revisita os clichês da bossa e vira a musa do avesso. Nota 8

Sem Compromisso: Crônica de costumes disfarçada de canção, bem ao estilo dos nossos melhores compositores. Nota 9

Você Não Sabe Amar: Mais uma grande interpretação de Chico, cuja voz, que nunca foi grandes coisas, estava no auge. Nota 8

Me Deixe Mudo: Talvez a maior surpresa do disco, a canção de Walter Franco é uma das que melhor reflete o momento de Chico. Nota 8

Sinal Fechado: Paulinho da Viola em versão “antisamba” fecha o disco com o peso necessário. Nota 9

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